skylineSP

Quando eu nasci, meus pais acabavam de mudar para um apartamento de classe média em Cerqueira César, São Paulo, já que eu era o terceiro moleque, e três em um quarto só seria apertado. Lá vivi meus primeiros 20 anos de vida, e quis a vida que eu fosse estudar do outro lado da cidade, no Morumbi. Quando finalmente me mudei para o Morumbi, estava estudando justamente do outro lado da cidade, novamente, em Higienópolis. Ironias que a vida nos prega.

O fato é que, quando pequeno, muitos dos meus amiguinhos estudavam perto da escola, e portanto moravam no elegante e residencial Morumbi. Eu, em compensação, era um dos desafortunados que moravam para lá do rio, na cidade, onde tinha ônibus e metrô e barulho e bagunça. Eu pegava a perua e demorara quase uma hora em cada trajeto de ida e volta, enquanto os ‘bacanas’ tinham tempo de fazer aula de judô, inglês, balé, ou qualquer outra coisa que as outras crianças fizessem. Eu tinha vergonha de dizer que morava em Cerqueira César, porque quase nenhum amigo meu sabia onde ficava.

Corte seco para 25 anos depois, e estou eu aqui a procura do meu primeiro apartamento, e um dos lugares que mais foco minha busca é, vejam só, Cerqueira César. Agora quero desesperadamente voltar para o bairro da minha infância, mas vejo que o bairro já não me pertence, pois já não é o mesmo. Tanto que até mudou de nome. Agora chama Jardins, e é um dos quadriláteros mais bacanas da cidade, e todos sabem onde fica. Cerqueira César agora mudou para o outro lado da Paulista, onde antes ficava o bairro da Consolação. Nesse samba da vizinhança, uma parte de Pinheiros virou Jardim América, Bela Vista virou Jardim Paulista e Santa Cecília virou Higienópolis. Eu fico cada dia mais confuso.

Meu prédio antigo continua lá, com a mesma cara e o mesmo boteco na esquina, e a mesma lojinha de bugigangas importadas do lado, que a gente ia só para olhar (e comprar só no aniversário). Mas alguma coisa faz com que os paulistanos estejam sempre tentando conquistar um status de fachada, ao invés de realmente valorizar o que tem. Li outro dia que as construtoras estão realmente ‘criando’ bairros para valorizar seus empreendimentos. A Barra Funda, que finalmente se urbanizou, teve que adotar nova personalidade: Nova Pacaembu. A parte mais chique do Itaim virou Itaim Nobre, como se só Itaim não fosse nobre suficiente. E assim surgem Nova Berrini (Chácara Santo Antônio), Parque Anália Franco (um pedaço do Jardim Anália Franco) e Parque Aclimação, um miolo da própria.

Nunca ouvi falar em Manhattan Park, Jardin du Marais ou Nueva Recoleta. Devem até existir truques como esse fora de São Paulo, mas nunca vi eles pegarem. No Rio, por exemplo, Copa é Copa, passou um pouco já é Leme, e ninguém discute. Por isso aqui estou eu em uma pequena crise de identidade, pois o bairro que me fez crescer já não é o mesmo e me esnoba. Mas de uma coisa eu tenho certeza: para o Morumbi não volto nunca mais. Já atravessei a cidade demais. Hoje, adulto, quero mais é ficar pertinho do ônibus, do metrô, do barulho e da bagunça. Quero ficar pertinho do meu escritório e poder ir e voltar com alguma freqüencia a pé. Isso sim, para mim, é status.

 

E hoje anunciaram a conta-gotas e de um jeito inusitado, os primeiros nomes confirmados do line-up da edição do próximo ano do Sónar SP. O lançamento oficial foi feito através da fanpage do festival, com uma atração anunciada a cada 3 minutos, sem coletiva de imprensa dessa vez. Foram 10 nomes anunciados e, bem, alguns que eu morri um cadinho (especialmente com o Explosions in the Sky):

Agora é cruzar os dedos e aguardar o que vem por aí.

Oscar-Niemeyer-2003

Parecia que nunca chegaria. 104 anos intermináveis, chegaram finalmente ao fim. Parece muito tempo, mas para ele foi apenas ‘um sopro’.

No Brasil, arquitetura nunca foi um tema de conversa de bar, ou de fofoca na janela. Mas se você perguntar o nome de um arquiteto, 90% dos brasileiros vão mandar de bate-pronto: Oscar Niemeyer. Controversa, prepotente, sua obra não é nada fácil de digerir, e ele sabia que está longe da unanimidade. Mas nunca desistiu de suas idéias, e estava lá, velhinho e curvado, desenhando bundas de mulheres e curvas livres que construíam cidades.

Desde que me conheço por arquiteto, escuto a clássica pergunta de amigos leigos no assunto: você gosta? Muitos torcem o nariz para a minha resposta afirmativa. E sempre vem aquela lista de argumentos contra: não funciona, é árido, quente no verão e frio no inverno, e por aí vai. Concordo com todos eles. Acho, inclusive, muitos prédios feios. Acho Brasília um experimento desastroso de urbanismo. Até sei de histórias de que ele era intragável no trabalho.

Mas a arquitetura não pode ser lida apenas assim. Não basta olhar e avaliar o apelo estético das construções. Oscar é considerado um gênio em todo o mundo, e não é à toa. Sua arquitetura é poderosa porque ela não deixa ninguém ileso, impossível não percebê-la. Você pode achar o prédio assombroso, mas com certeza tem um detalhe que te prende. Pode ser uma coluna, um painel, o ritmo ou até a vista das janelas. O desejo e a repulsa estão sempre em cabo-de-guerra. Como ele sempre disse, ‘a vida é rir e chorar a vida inteira’.

Em pleno século XXI, parece que a arquitetura por aqui virou um eterno empilhar de casas como se fossem marmitas e cercá-las por muros altíssimos. Pensar que Oscar Niemeyer criava formas tão únicas, soluções tão inovadoras e conceitos tão humanos nos anos 30 do século passado me faz acreditar que nós estamos fazendo algo de muito errado. Não que ele estivesse certo, mas ele não deixou de tentar. Gosto, e sempre vou gostar do trabalho dele, pois eles são um legado impositivo e eterno de que nós somos capazes de fazer mais do que vemos por aí no dia-a-dia.


Nada como uma ótima trilha sonora para esse domingão cinzento: o Massive Attack fez um mix de quase 2h para a Radio Six, da BBC. Ouve aí:

Tracklist:

01. Pink Floyd – On The Run [Eagle Vision]
02. Kraftwerk – Musique Non-Stop [EMI]
03. Massive Attack & Mos Def – I Against I [Virgin]
04. Addison Groove – Savage Henry [50 Weapons]
05. Burial – South London Boroughs [Hyperdub]
06. Massive Attack – Angel (Remix) [Virgin]
07. Gang of Four – At Home He’s A Tourist
08. The Phenomenal Handclap Band – Baby [Truth and Soul Records]
09. Massive Attack – Karmacoma (Remix) [Virgin]
10. The Bug vs. The Rootsman – Killer (feat. He-Man) [Rephlex]
11. Khan – Tehran [Punch Drunk]
12. Man Parrish – Hip Hop Be Bop (Don’t Stop) [Polydor]
13. Flying Lotus – Unknown
14. Kanye West & Booka Shade – Monster Vs In White Rooms [Roc-A-Fella/Get Physical Music]
15. Jallanzo – Rockin’ Reggae [Charmax Music]
16. Omar Perry – Boom Town [Makasound]
17. Hempolics – Serious [Reggae Roast Records]
18. Mr. Vegas – Mus Come A Road
19. DUB TERMINATOR – Give Praise (feat. Ras Stone) [Green Queen Music]
20. Jumpshot – Headstrong (Lion Dub Hood Refix) (feat. Jahda) [Hoodfamous Musi]
21. Rico Tubbs – Trap Muzik Sounds Better With You [Free Download]
22. Björk – Venus As A Boy (Parker Refix) [One Little Indian Ltd]
23. B. Dub – Kingdom
24. Isaac Hayes – Bumpy’s Lament
25. Eddie Harris – It’s Alright Now [Resist]
26. Unknown – McKay (Mr Benn Refix)
27. Glen Brown – No More Slavery (Atomic Edit) [Trojan]

via

O Eric Hines fez esse timelapse do Chicago, que já é uma cidade bonita e com esse tratamento obviamente ficou mais bonita ainda. Pra quem não conhece Chicago, uma boa é ir pra Lollapalooza, que é um festival excelente que acontece no principal parque da cidade, o Grant Park, no Centro.

Confira e se anime em ir pra lá caso ainda não tenha ido:


Nada como terminar o feriado com um presente inesperado. Crumbaugh é o homem responsável por restaurar singles do Smith para a Rough Trade e Joy Division/New Order para a Factory Records.

Em 2007 ele remasterizou Closer e Still, mas não se deu por satisfeito com o resultado. Ele afirma que não ficou ruim, mas o trabalho dele evoluiu desde então e hoje ao ouvir essas remasterizações, ele as considera amadoras.

Felizmente, Crumbaugh teve uma segunda chance começando do zero ao remasterizar um show do Joy Division, que rolou em 8 de fevereiro de 1980 na University of London Union. E o resultado você pode se deleitar baixando o material todo, que ele disponibilizou no seu blog pessoal. Está na versão FLAC.

Segue o playlist:

Joy Division – University of London Union show

01 Dead Souls
02 Glass
03 A Means To An End
04 Twenty Four Hours
05 Passover
06 Insight
07 Colony
08 These Days
09 Love Will Tear Us Apart
10 Isolation
11 – encore break -
12 The Eternal
13 Digital

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Obrigada Crumbaugh!! :)

via factmag