Amanhã (dia 31 de Agosto) é Dia do Blog. Peguei carona numa ação que fizemos aqui na agência para celebrar esse dia, compartilhando no blog uma paixão que me move. E nada mais incrível (para mim) que minha história com o Ola e meu casamento, que me tira sorrisos só de pensar nesse dia que foi um dos mais especiais da minha vida. Vamolá :)

Antes de começar a ler, sugiro dar um play na trilha sonora da cerimônia e na música que escolhemos pra ser nossa “valsa” (ou substituta dela):

Talvez eu tenha tido uma vontade secreta de casar, mas se ela existiu, eu demorei para perceber. Cresci dizendo que isso não seria pra mim. Acreditei em amores eternos quando me apaixonei, mas sempre me dei conta de que eles acabavam.

Pensar em casar sempre me trouxe uma insegurança de que o ato burocrático criaria uma rachadura imperceptível na minha história. Talvez traga, mas já não quero mais pensar nela.

Tive namoros longos, mas foi com o Ola com quem pela primeira vez tive essa vontade esquisita de casar. Chamar os amigos, fazer festa, trocar alianças, enfim, cumprir tudo como manda o figurino.

foto tirada pela Adriana Gallupo e Daniel Hunt

Demorou pra eu assumir. Várias vezes falei pro Ola que eu não queria casar com ele apenas para ele obter o visto para ficar por aqui, então raramente tocávamos no assunto. Um dia após o almoço, eu perguntei se ele não queria fazer uma declaração de união estável comigo, para resolver as entradas e saídas dele no país. Fomos lá, fizemos e rolou uma emoção inesperada. Depois uma declaração minha de amor por ele no Facebook, foi a vez da família e amigos ligarem pra entenderem o nosso “casamento escondido”.

Muitas felicitações depois, acabamos com intenções de festejar tal ato, mas nunca o fizemos. Para muitos, inclusive pra mim, já éramos casados. Há quase 1 ano atrás, estávamos numa cantina num rápido almoço durante a semana. Olhei pro Ola e me deu aquela vontade louca (e inexplicável) de querer me casar com ele. Quando me dei conta, eu estava pedindo ele em casamento. Foi engraçado na verdade. Rimos, brindamos (com água, afinal estávamos em intervalo de trabalho) e começamos a fazer planos de como seria o nosso casamento. Como não gostamos de coisas fáceis, decidimos logo por um cenário de conto de fadas. O casamento seria em Lofoten, um arquipélago inóspito na Noruega, pois eu queria o sol raiando à meia-noite e ele queria o mar ao fundo, enquanto celebrávamos nosso amor.

Fomos até lá, voltamos empolgados, mas não durou muito, pois tudo pareceu tão difícil que começamos a cogitar mudança de lugar. Finalmente assumimos pra nós que tal celebração poderia ser mágica em qualquer canto, por isso decidimos por Gotemburgo, na Suécia, onde a família dele vive.

Foram meses e meses planejando, pequisando lugares, pois mesmo sendo num local mais familiar, o Ola insistiu em manter o mar como pano de fundo, que é um dos lugares que ele mais gosta e se sente à vontade. Entre idas e vindas, confirmação e cancelamento de lugares, acabamos fechando cerimônia e festa numa ilha datada do século XVI, que um dia foi um forte, depois uma prisão, e atualmente um ponto turístico de Gotemburgo.

Foi uma correria e gastos infindáveis, fazendo a gente várias vezes confessar um ao outro que poderíamos ter feito algo diferente, sem festa, sem nada, apenas uma viagem incrível, até o momento de chegar na ilha e se deparar com um lugar perfeito pra abrigar meu conto de fadas. Sim, estávamos certo, seria incrível e todo o arrependimento se esvaiu.

Uma igreja singular (de 1700) com capacidade para 80 pessoas, um lugar cheio de história, o mar em volta, muito verde, muita pedra. Era lá…. quando tudo começou a se materializar, finalmente as borboletas apareceram loucas no meu estômago e por lá ficaram até o grande dia (ainda dão as caras de vez em quando, como hoje quando escrevi esse post).

foto tirada pelo Dan Persson

Foram várias emoções que esse casamento me trouxe: levar minha família para sua primeira viagem internacional, meu pai entrar comigo vestida de noiva numa igreja (foi uma cerimônia ecumênica, já que eu e o Ola não temos religião) e, ainda, ter pessoas tão queridas do outro lado do oceano que deram um jeito de estarem presentes nesse dia e o casamento em si.

É difícil explicar tudo que senti, pois foi muito além do que eu esperava. Foi incrível! E é bem cafona dizer isso, mas não tem outro jeito: é mágico porque parece que o amor e a felicidade transbordam no ambiente de uma maneira inexplicável. Acho que poucas vezes eu me senti tão radiante (parecia que tinha um sol dentro de mim) e olha que sou uma pessoa que tem muitos momentos incríveis e felizes na vida. Nunca imaginei que o ato “casar” fosse tão bom. Cresci tentando entender o que era sentir a tal “felicidade absoluta” e nesse dia eu tenho certeza que senti. Eu olho as fotos e mal me reconheço de tão incrível que me vejo nelas. E não só eu, mas cada um dos meus convidados. Como disse um dos meus padrinhos: todo mundo casou um pouquinho nesse dia.

foto tirada pelo Felipe Tofani

Se vai durar pra sempre ou não, não me preocupa e nem quero pensar a respeito. Quando conversamos com nossa “padre”, pedimos que ela não falasse “até que a morte nos separe” em nenhum momento, mesmo sendo isso o que queremos no momento. Não poderíamos ter acertado mais na nossa celebrante, que fez um dos discursos mais lindos que já ouvi. Atrás de mim eram apenas “snifs” de todos emocionados com palavras tão lindas:

“…Aqui estamos nós
Vocês nos convidaram, a todos nós, para nos juntarmos a vocês nessa feliz ocasião
Sua vida
Seu casamento
Hoje, estamos celebrando essa maravilhosa surpresa – que o amor entrou em suas vidas
Existem milhões de pessoas no mundo. Olhem em volta!
O que é essa coisa que faz de um rosto, dos olhos de alguém – algo tão especial.
Então, vocês param
E ficam juntos
Deixam de ser “eu” e “você” e passam a ser “nós”
É algo mágico..”

O lugar foi outro achado como já falei e não poderíamos ter tido um cenário mais acertado. A sensação era de estar mesmo num conto de fadas com um castelo, o sol brilhando alto (depois de ameaças de tempestades) e se pondo quase às 22h, além do mar em volta da gente, num lugar que remetia aos cenários de Game of Thrones.

Tivemos uma sorte incrível, porque fechamos uma decoradora um mês antes do casamento, que nos encontrou faltando duas semanas e em uma semana produziu tudo do jeito que queríamos, além de ter resolvido meu buquet (o mais lindo ever).

O melhor não foi ter tido uma festa de casamento, mas três: um happy-hour pré-casamento, que já me emocionou ao ver tantos brasileiros e amigos que eu não via há muito tempo, invadindo Gotemburgo; o casamento em si e, finalmente, o pós-casório que esticou um pouco o gosto de “sonho” com uma festa dada pelos pais do Ola, na casa deles, que tem uma das vistas mais lindas que já vi na vida e ainda nos brindou com um por-do-sol absurdamente lindo às 21h30 do domingo, fechando com chave de ouro as celebrações.

Agradeço a cada um que se esforçou para estar lá com a gente, pois sei que não foi uma tarefa fácil. Aos amigos que conseguiram no último minuto largar tudo e dar um jeito do além para voar pra lá (ah, Daniel, Didi e Edgard, vocês arrasaram na surpresa). E claro, aos meus padrinhos e também aos DJs incríveis DJ Mulher (que cuidou da trilha sonora do jantar), Anny+Jo (que abriram a pista tocando nossa valsa “Limit to your love”, do James Blake), Larry Tee, Daniel Hunt (Ladytron) e o próprio Ola, que fizeram a festa ser a mais animada da história da ilha (siiiim, de acordo com o gerente local, ele nunca tinha visto uma festa tão animada por lá). E o super super super super obrigada vai para a Christina Sandell, que arrasou na decoração, aos sogros mais lindos do planeta, que me deixaram sem palavras por tudo que fizeram por nós e ao Ennio, que criou uma identidade incrível para o casamento e fez o convite mais lindo ever.

Hoje minha conclusão é que nenhuma decisão na minha vida foi mais acertada que essa, pois só o que ela já me rendeu de sensações e emoções já é o suficiente. Ainda estou aqui, toda bobona não parando de olhar para a aliança na mão.

***

(crédito fotos: Adriana Gallup & Daniel Hunt, Dan Persson e Felipe Tofani)

Incrível esse clipe da música Hearts, do Dan Black, um time-lapse de 24 horas em que ele ficou exatamente no mesmo lugar das 11 da manhã de um dia para o outro. A música é fofa também e a ideia, apesar de nova, foi super bem executada (e parabéns pra ele que conseguiu ficar firme e forte nessas 24 horas). De quebra, ainda tem a bela vista de Paris, já que o clipe foi feito no topo de um prédio na cidade:

No mês passado fomos brindados com o novo álbum do Foals, o Holy Fire, que você pode conferir uma boa crítica aqui. Hoje eles lançaram o clipe da música “Late Night”, que sai como single no dia 22 de abril. O clipe foi produzido na Romênia pelo Nabil Elderkin, que já assinou clipes de Frank Ocean, Kanye West, Bon Iver, John Legend, entre outros.

O clipe é bem pesadão e super bem produzido, que como bem intitulou a Rolling Stone, o vídeo captura o ciclo da vida de uma forma bem sinistra, alternando cenas de sexo e nascimento. Confira:

Suede marcou bons anos da minha vida. Mal acreditei quando vi que eles estavam no line-up do último Planeta Terra. O show foi bom, mas um pouco frio, provavelmente porque eu estava com as expectativas nas alturas. Ainda assim, fiquei feliz em vê-los ao vivo e realizar um sonho antigo.

Confesso que não tenho acompanhado a carreira da banda, por isso hoje me surpreendi ao ver que acabam de tirar um novo álbum do forno e totalmente em forma. Dá para ouvir na íntegra em streaming no soundcloud (mas não sei porque raios não liberaram para embedar). O lançamento oficial rola em 18 de março, com vendas em CD e vinil.

Corre e ouça, quem sabe não entra num clima nostálgico (e bom) como o que acabei de entrar por aqui?

 

Começar o sabadão com um mix de 2 horas produzido para a BBC Radio 1, pela dupla Thom Yorke e Nigel Godrich não é nada mal.

Para ouvir, corre aqui. O mix conta com músicas do Thom Yorke, Diplo, Aphex Twin, Doom, Phon-o e DJ Slugo.

Para os mais perdidos no tempo, em 2009 foi criada a banda Atoms For Peace com Flea (Red Hot Chili Peppers), Thom Yorke, Joey Waronker (R.E.M.), Nigel Godrich (produtor do Radiohead) e do percussionista brasileiro Mauro Refosco. Tiraram recentemente do forno o álbum Amok, que dá para ouvir aqui.

Quem estiver na Europa no mês de julho, poderá assisti-los ao vivo:

07-06 Paris, França – Zenith
07-09 Antuérpia, Bélgica – Lotto Arena
07-10 Munique, Alemanha – Zenith
07-12 Trenčín, Eslováquia – Pohoda Festival
07-13 Novi Sad, Sérvia – Exit Festival
07-16 Roma, Itália – Rock in Roma @ Ippodromo delle Capannelle
07-17 Milão, Itália – City Sound Festival @ Ippodromo del Galoppo
07-21 Ferropolis, Alemanha – Melt Festival
07-24 Londres, Inglaterra – Roundhouse
07-25 Londres, Inglaterra – Roundhouse
07-26 Londres, Inglaterra – Roundhouse

 

via pitchfork