Não há curiosidade maior do que saber o que rola nos playlists dos nossos artistas favoritos, assim como suas referências quando não são tão evidentes. Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, a dupla por trás do Daft Punk, acaba de lançar 2 playlists, cada um assinado por um deles, no Spotify. Enquanto o Spotify não libera a plataforma por aqui (mas está quase), eu montei os playlists no Grooveshark, assim todo mundo pode ouvir.

As playlists estão bem ecléticas, contando até com Drake e Sky Ferreira.

Para quem tem Spotify:

Para quem não tem Spotify:

Daft Punk Guy-Manuel de Homem-Christo Playlist 

*faltou Casablanca by Raekwon

Daft Punk Thomas Bangalter Playlist

*Faltaram Real Thing by Phoenix, Amazon by UR e a versão de I Want You Back é A Cappella (aqui é a normal)

E a ansiedade toma conta do mundo com o novo álbum do Arcade Fire, Reflektor, ainda mais agora sabendo que é duplo. Abaixo a lista das músicas reveladas pela Amazon França:

Disco 1:

1. Reflektor
2. We exist
3. Flashbulb eyes
4. Here comes the night time
5. Normal person
6. You already know
7. Joan of arc

Disco : 2

1. Here comes the night time II
2. Awful sound (oh eurydice)
3. It’s never over (oh orpheus)
4. Porno
5. Afterlife
6. Supersymmetry

O duro vai ser esperar até 29 de Outubro, quando o álbum será lançado oficialmente. Sorte de quem já teve uma boa prévia no show que rolou em Montreal.

Aliás, quem ainda não viu o vídeo interativo que eles acabaram de lançar, vale a pena conferir no site.

Finalmente Mazzy Star volta à cena com novo álbum após 17 anos, quando lançou “Among my Swan“. Nada me encanta mais do que a voz doce da Hope Sandoval, que continua encantando em  “Season of Your Day”,  que será lançado na próxima semana mas já dá para ouvi-lo na íntegra aqui no NPR.

Acabaram também de tirar do forno o vídeo California para deleite daqueles, que como eu, andavam morrendo de saudades deles:

via

Demais esse vídeo 360º que fizeram no show do Disclosure, que rolou no Central Park em NY, em agosto. Eu fui no show deles no Way Out West, em agosto (pouco depois desse show de NY) e só falo uma coisa: o show é foda. Pode colocar aí na sua lista de “show que tenho que ver”. E se for, já começa a malhar, porque impossível parar de dançar. A foto acima eu tirei no meio do show deles.

Agora clica no play e se delicie, passe vontade ou mal (ficar rodopiando nem sempre faz bem):

via Spin (obrigada Jo pelo link)

Não é novo, todo mundo já ouviu, viu o vídeo, mas ainda assim vale o registro de Reflektor, do Arcade Fire, mas antes vou contar uma historinha.

Hoje eu me lembrei de quando ouvi falar sobre eles pela primeira vez. Era 2005. Eu estava no Curitiba Rock Festival com alguns amigos. Acabamos fazendo um trabalho com o The Raveonettes e ficamos relativamente próximos da banda durante o festival. Numa discussão sobre bandas que precisávamos conhecer, a Sharin Foo foi categórica: ouçam Arcade Fire e, se puderem, assistam ao show, pois é a melhor coisa que vi nos últimos tempos. Depois de ouvir a loira fatal que esbanja bom gosto por todos os lados, não dava para não ir atrás.

Na época o Arcade Fire tinha apenas 2 anos de vida e o álbum Funeral no currículo. Nada me bateu sonoramente na época como ouvir Funeral. Fiquei dias ouvindo e ouvindo exaustivamente o álbum, pois até então eu tinha ouvido algumas músicas soltas da banda, mas sem prestar muita atenção. Para mim soou como obra-prima e o álbum me emociona até hoje.

A banda já estava despontando na época, mas sei lá porque raios eu ainda não tinha dado a atenção devida. Por sorte, o Arcade Fire se apresentaria dois meses depois no finado Tim Festival (que saudades), no Rio, em São Paulo e Porto Alegre. Pronto, expectativa no céu. Infelizmente a qualidade do som em São Paulo com a parte do público no maior tricô, sem sequer prestar atenção no show, (na época quem brilhava eram os Strokes), atrapalhou bastante minha primeira experiência com eles.

Em 2010 veio o The Suburbs e a banda foi escalada para tocar no Lollapalooza (2010), em Chicago (que na época teve Black Keys, que ainda despontava, no line-up). Convenci o Ola a irmos pra lá, assim também comemoraríamos nosso aniversário de namoro, que coincidia com a época do festival.  O Arcade Fire foi o headliner encerrando o festival no domingo num show épico, com direito a dedicatória de Crown of Love, para o The National, que tinham acabado de tocar no outro palco. Como sou chorona, chorei do começo ao fim, mas encerrar a noite com Wake Up foi um golpe baixo e achei que meu coração não ia dar conta de tamanha emoção. O show inteiro foi lindo e tudo contribuiu para que fosse especial: estava super bem acompanhada, tinha tido um final de semana incrível, estava numa cidade incrível e com um skyline incrível atrás do palco com uma banda incrível nela e ainda conseguimos ficar bem pertinho do palco. Até me arrepia só de lembrar. A gente assiste a tantos shows, que nem todos estão vivos na memória, mas esse roda na minha como se fosse um slideshow.

Desde então fiquei naquela saudade quase aguda de vê-los ao vivo novamente, mas ainda não rolou. E tudo isso veio à tona, porque com lançamento de novo álbum, há mais chances de vê-los ao vivo. Agora é ficar na torcida e de olho, afinal a informação já está no site deles sobre a turnê que vem por aí, tanto que já gastei meus dinheiros comprando o álbum, que garante vendas especiais para os próximos shows.

E claro, pra fechar o post, nada menos que o vídeo de Reflektor, single do álbum que sai em 29 de Outubro.

**Quinta-feira eu toco com o Ola na Casa 92, na festa Make Me Up, e Reflektor vai ser a música que abrirá nosso set. :)

Eu já fui uma pessoa muito corajosa para encarar desafios, mas nem todos eu consegui vencer como o medo da água e da altura. Esse final de semana completei 5 anos ao lado do Ola e é incrível quando percebemos como alguém pode mudar tanto a nossa vida e vice-versa, para melhor. Foi assim que passei os últimos dois dias: pensando na minha antes e depois do Ola. É incrível perceber os rumos novos que um deu ao outro e o quanto a gente tem acrescentado diariamente na vida do outro.

A primeira diferença entre a gente foi detectada nos primeiros dias em que estávamos juntos. Enquanto eu era uma sedentária de carteirinha, o Ola sempre amou esportes, sendo o windsurf um dos principais. A mudança ao Brasil praticamente eliminou o windsurf da vida dele, o que sempre me causou um certo desconforto, talvez por sentir uma culpa de tirar o esporte dele de alguma forma (para quem não sabe, o Ola pratica windsurf com ondas, o que só é possível encontrar em dois lugares no Brasil: Ibiraquera/SC e Jericoacara/CE. Existem algumas outras praias que possibilitam tal prática, mas é mais raro ter sorte de rolarem grandes ondas com muito vento).

Enquanto eu o fiz mergulhar no universo musical com ele virando DJ e até produzindo um pouco, ele me fez mergulhar nos meus medos.

A primeira frustração dele foi descobrir que não sei nadar, afinal ele ama água. A segunda foi perceber que a minha coragem de outrora foi substituída por um medo de tudo.

Eu tenho uma confiança enorme no Ola, o que me faz muitas vezes encarar esses medos e me jogar em algo em que antes eu não me jogaria de forma alguma. A primeira experiência foi o esqui, que eu me sentia empolgada até ficar em pé num para de esquis. Eu simplesmente chorei. Vi que não era pra mim, que não queria esquiar nunca mais, além de lidar com a frustração de não ter conseguido ter qualquer prazer com aquilo. Ele foi persistente.

No ano seguinte lá fomos nós de novo. Eu prometi que gastaria meu tempo lendo livros, assistindo filmes enquanto ele esquiava com meus amigos. Porém, sou orgulhosa e resolvi encarar novamente, afinal tinham novatos na casa e eu, no meu orgulho besta, não quis ficar pra trás. Lá fui eu fazer aulas com eles, ver a cara de preocupação do professor e ainda saber que ele perguntou pro Ola se eu tinha algum problema, o que, de certa forma, me trouxe ainda mais o orgulho à tona e me fez mostrar  que eu não tinha problemas. Era apenas medo. Nada como ser desafiada.

Foi nesse dia que voei. E foi lindo. Foi emocionante. De repente eu fiquei em pé nos esquis, não caí mais do ski-lift e topei ir pro pico da montanha em que estávamos. Quando cheguei lá e vi tudo que tinha abaixo de mim, eu simplesmente abri os braços e voei. Foi um vôo rápido, macio, me trazendo aquele gosto de vitória e me desligando um pouco do planeta, me colocando num absurdo estado de paz. E eu chorei por sacar que era possível me superar e que ainda teriam outras coisas muito mais difíceis pela frente.

O mais legal disso não é somente a minha felicidade, mas a felicidade do Ola, porque foi uma superação a dois. Eu superei, mas ele foi importante nessa superação. E depois disso, ele quis mais, afinal sabe o quanto eu tenho ainda de medos pra vencer.

Eu não sei nadar. Aos 5 anos eu quase morri afogada, mas ainda lidei relativamente bem com a água por um tempo. Com o passar dos anos, eu fui pegando pânico. Fiz algumas aulas de natação e simplesmente desisti porque era muito sofrimento.

O Ola sempre coloca a água presente na minha vida nas nossas viagens. Me levou para velejar; brincou comigo no mar como se brinca com uma criança pra que ela não tenha medo, que encarei ir com ele para uma área de mergulho em Maragogi, mesmo jurando que ficaria no barco, mas saltei no mar contando com ele e o Renato (que também esteve presente em meus vários momentos de superação e deu tanta força quanto o Ola pra eu seguir em frente), agarrei nos pés dos dois e fui batendo as pernas até chegar num lugar que dava pé. Lá eu coloquei a máscara e fui pro fundo do mar, afinal tinha chegado até ali porque não enfiar a cara na água e ver no que dava. Não foi fácil, tive tremedeira, mas encarei e foi incrível. Voltei pra casa mais uma vez com a sensação de que poderia ir mais longe. E fui. Mesmo ainda não tendo aprendido a nadar e mal sabendo boiar, eu encarei minhas primeiras aulas de caiaque. E amei. Quando me dei conta de que estávamos com 20m de água abaixo de nós, bateu aquele pavor, mas misturado com uma euforia infinita. E assim eu quis mais, até finalmente conseguir a remar sozinha num caiaque, mesmo com a segurança de estar num lugar em que se caísse, eu conseguiria ficar em pé com a cabeça pra fora d’água. Próximo passo agora é aprender a nadar para continuar com essa minha nova paixão.

Faz uns dois anos que o Ola me enche o saco pra escalar. Até encarei com ele uma parede numa academia, mas depois eu não quis mais saber. Desde então ele não desistiu. Essa é a parte mais incrível dele, não desiste até me convencer. Quando me dou conta, estou lá fazendo o que ele quer. No meu último aniversário eu não tive escolha: o presente era um final de semana de curso de escalada, que envolviam aulas teóricas no primeiro dia e ir pra pedra no segundo. Enrolei enquanto pude, mas não tive escapatória. No último final de semana lá fomos nós. Acordamos às 7h num sábado ensolarado, ficamos trancados das 9 às 17h numa sala aprendendo sobre os equipamentos, nós, backup, tipos de escaladas e tudo mais que possa envolver um curso de teoria de escalada básica. No domingo foi o dia de acordar às 6h e dirigir até Pedra Bela, para minha primeira escalada numa pedra.

Foi ontem que novamente eu voei. E novamente foi incrível. Passamos o domingo debaixo de um sol escaldante sem sequer ter uma sombra pra se refugiar. O dia foi subir e descer a pedra. Tive vários momentos de pânico, em especial a minha primeira subida quando achei que seria impossível ficar em pé num lugar que tinha uns 70º graus e depois 90º. Quando cheguei a 30m de altura e olhei pra trás, novamente bateu o pânico. Subir parecia mais fácil do que descer. E lá estava o Ola me dando segurança pra eu deslizar até o chão sem algum problema. Fechei os olhos, joguei o corpo pra trás e fui. Travei em alguns momentos, mas quando me dei conta estava nos pés dele. Pode parecer simples, mas pra mim foi surreal. Olhava pra cima, olhava pra mim e mal acreditava que tinha conseguido fazer aquilo. E era só o começo. Na sequência eu aprendi a descer de rapel e foi ainda mais tenso, pois agora eu não tinha mais o Ola para confiar. Eu tinha que confiar em mim. Era eu e eu. Eu só chegaria no pé da pedra se desse conta de mim. E desci. E novamente veio aquela sensação incrível de ter conseguido algo que eu sequer imaginaria ser possível pra mim. E ainda era só o começo.

Quando fomos pra segunda parte da aula que envolvia guiar (isso eu não sabia que teria), fazer duas paradas e descer, eu tremi. Tive uma alergia inexplicável nos olhos, bateu uma dor de cabeça, um pavor que fez meu corpo ficar tremendo. Desisti e afirmei que já estava ótimo e que ficaria ali assistindo, até ouvir uma menina do grupo falar pra mim “ah, você não vai agora deixar seu parceiro na mão, né?”. Eu fiquei com vergonha, pois me senti traindo alguém. Resolvi encarar.

Foram momentos de uma tensão inexplicável, que envolveu até uma dor de barriga e tontura. Achei que não conseguiria. Resolvi que seria a primeira a guiar, assim não teria como voltar atrás. Guiar é mais tenso, porque se você sai de um ponto que já conseguiu proteger, chega no segundo e cai antes de protege-lo, terá uma queda que o levará até o ponto anterior, o que significa que você pode se machucar (mesmo não sendo grave). Essa minha primeira guiada envolviam pontos bem íngremes. Abaixo de você, está seu parceiro soltando a corda para que você continue subindo. Quando você encontra um ponto, você pára pra tirar a costura (dois mosquetões prendendo uma fita), prende-la na corda e na chapeleta. Eu fiz a primeira guiada com uma desenvoltura inacreditável, até chegar na primeira parada, montar tudo para o Ola subir e guiar para a próxima parada, que já era no topo da pedra, cerca de 50m de altura.

Essa segunda parte era bem íngreme e ele teve um pouco de dificuldade no início da guiada. Eu gelei, pois achei que ele pudesse cair e não confiei que eu conseguiria dar a segurança necessária por não conseguir dar conta do peso dele. Felizmente nada aconteceu, ele chegou ao topo e então eu subi. Tremi ao alcançar o final, pois a última parada tinha uns 70º graus, onde fiquei pendurada por longos minutos até armarmos a descida, que foi primeira minha, já que cada um desmancha sua própria parada e aquela era a dele.

Levamos cerca de 1:20 nesse processo todo. Foi exaustivo com momentos de tensão, mas alcançar o topo na primeira escalada com direito a guiada, me trouxe uma auto-confiança que há muito eu não sentia. E o mais importante, reforçou ainda mais a minha confiança no Ola. Quando desci rapelando veio novamente a sensação de voar, mesmo que presa à uma corda, mas nem por isso a sensação é menor. Seu corpo está suspenso e a pedra é um mero apoio pra descer, mas não necessária.

E fazer uma história a dois dar certo é isso: confiar & agregar, seja no amor, nos negócios, na amizade. Em tudo! E isso ficou ainda mais claro ontem, em especial porque percebemos que não é nosso corpo que não é capaz, mas as limitações que damos a ele. Isso não é novo, mas quando você se depara com isso, essa afirmação ganha mais força e faz você rever sua vida e o que está fazendo com ela.

Ainda tenho muito a superar e nem sei como agradecer ao Ola, a pessoa que mais tem me ajudado a superar meus próprios desafios. É por isso também que eu o amo e é por isso que estar com ele há 5 anos me parece apenas o início de uma longa jornada, com muitas emoções, desafios e conquistas pela frente. Ontem só se materializou a segurança que ele me dá no meu dia-a-dia e o quanto fazemos melhor juntos.

Sozinho se faz, mas menos do que se pode fazer com alguém ao lado.

Obrigada Ola pelos incríveis 5 anos que vivemos juntos.

(Créditos: fotos Ola Persson, Dan Persson, Renato Salles, Tacio Philip Sansonovski e Jo Machado)