sanfrancisco

É muita pretensão eu afirmar que o “meu melhor de San Francisco” é “o melhor”, mas muito do “melhor” com certeza está no meu “melhor”. Vim para SF pela primeira vez no ano passado, justamente para aproveitar o carnaval que seria uma semana antes do SXSW.

Vim passar uma temporada um pouco mais longa para experimentar a cidade, dar um UP no meu inglês macarrônico (obrigada Ci Intercâmbio por todo apoio incrível) e, claro, fazer alguns contatos interessantes. Tenho tentado explorar a cidade aos poucos, já que tenho tempo (que está acabando) suficiente para dar uma boa rodada na cidade.

Aí me deparei com um problema nessa empreitada: me apaixonei pelo bairro onde aluguei um estúdio pra lá de charmoso e mal consigo sair daqui. Nada melhor do que você achar seu canto e se sentir em casa, mesmo estando muito longe dela.

Quando decidi vir pra cá, dei uma pesquisada nos bairros para ver o que mais tinha a minha cara. Todos os amigos que moram aqui, assim como os fóruns que eu consultei, foram taxativos: fique em Mission. Obrigada a todos pela dica, não poderia ter sido mais assertiva.

Dicas básicas:

Ao chegar na cidade vá a uma T*Mobile e compre um chip. Ter acesso a dados facilita bastante a vida, já que o Google Maps, por exemplo, te dá todas as informações que precisa de como ir a qualquer lugar, incluindo roteiros com transporte público (tem até os horários) ou bicicletas. O chip para utilizar por um mês com ligações e plano de dados ilimitado, custa US$ 50,00. Só não esqueça de verificar se o seu celular é bloqueado (desbloquear atualmente é algo bem simples).

Baixe o app Transporter, que traz todas as informações sobre transporte público da cidade, com as linhas, horários, trechos/pontos percorridos, além de ter o mapa da cidade para ajuda-lo a se virar. Lembrando que “muni” é o ônibus; “bart” é o metrô e “metro” é outra linha de metrô; cable car é aquele bondinho que atravessa a cidade (custa US$ 6,00 a viagem, mas vale por um período X marcado no ticket). Caso vá ficar uma temporada mais longa (um mês) vale comprar o passe, que custa cerca de US$ 70,00, para andar sem se preocupar de muni, cable car e bart. Outra coisa: o muni só aceita pagamento em dinheiro e trocado. Cada viagem custa US$ 2,00 e você precisa ter 2 notas de U$1. O bilhete comprado vale por algumas horas, então basta olhar o último horário que aparece nele e durante esse período, é só apresenta-lo ao entrar em outro muni.

Para comer o que não falta são bons lugares, mas atenção: não deixe de reservar uma mesa, porque elas são concorridas. A maioria dos restaurantes estão cadastrados no Open Table e fazer a reserva é bem simples.

Algo que é levado muito a sério nos Estados Unidos, é o Yelp, que é um ótimo parceiro de viagem. Não há um lugar sequer que eu tenha ido, que eu não tenha dado uma espiada nas resenhas e dicas. Raramente me decepcionei, então não deixe de baixar o app. Eles utilizam o foursquare, mas para dicas a boa pedida é o yelp.

Gorjeta é algo implícito, mas obrigatório. A maioria dos lugares não incluí na conta, mas é de bom tom incluir no pagamento. A gorjeta varia entre 15 e 20%, incluindo taxi. Quando o grupo for grande, eles já incluí na conta, então vale sempre conferi-la.

Os lugares que estão no guia e merecem uma visita:

SFMOMA: imperdível, com uma agenda de exposições sempre bem selecionadas e a visita já começa do lado de fora, pois o prédio já é um show a parte, assinado pelo Jensen Architects. Sabia que “Fountain“, do Marcel Duchamp e “The Nest”, da Louise Bourgeois, é da coleção do museu? MAS o meu favorito é o No. 14, do Mark Rothko, que eu fiquei um bom tempo sentada em frente a ele na mera contemplação e encantamento. Duas dicas boas: a 1ª terça-feira do mês a entrada é gratuita e toda quinta-feira, o museu fica aberto até às 20h45, então o ingresso a partir das 18h fica pela metade do preço (valor inteira US$ 18 // meia US$ 9, ou seja, uma boa economia pensando em dólares).

O museu abriga um café e um restaurante delicioso (que até vale uma parada para uma saladinha e uma taça de vinho), com vista para o Yerba Buena Gardens, além de uma loja daquelas que a gente quer levar tudo. A MuseumStore tem uma coleção incrível de livros de arte, design, arquitetura, fotografia, além de uma bela lista de objetos de design. E não deixe de visitar o jardim que fica no “telhado”.

E claro, estando ali, tem que caminhar pelo Yerba Buena Gardens, que é lindo e tem uma vista para o SFMOMA de tirar o fôlego (a mais bonita e completa). No verão o parque fica lotado e é puro deleite deitar na grama com um bom livro a tiracolo.

Os dois ficam na área central da cidade, então dá para gastar um dia inteiro ali passando pelo SFMOMA (uma manhã vendo exposições e almoçando por lá) passear pelo Yerba, depois conhecer o lindo Contemporary Jewish Museum, que abriga exposições bem interessantes.

Union Square – não tem como fugir, afinal é um dos marcos da cidade. Para ter uma vista bonita da praça, suba no Cheescake Factory, que fica no último andar da Macy’s. O lugar é cheio de turista, mas vale a pena parar lá para um drink e tirar umas fotos, inclusive a comida é gostosinha, o atendimento é bom (aliás, o atendimento em SF é primoroso, mas não esqueça da gorjeta de 15 a 20% para tudo: cafezinho, cerveja, táxi, etc). Caso fique lá para beliscar alguma coisa, peça uma mesa no terraça, assim terá a vista da cidade que é incrível.

Ao redor da Union Square ficam todas as lojas tradicionais como H&M (tem 2 no Centro), Urban Outfitters, Apple Store, Forever 21 (alguém gosta?), Ted Baker (uma marca inglesa que eu amo!!! não é das mais baratas, mas tem coisas lindas e os jeans são incríveis). Confira a lista das mais cotadas no Yelp (aliás, se vier para cá, já instale o Yelp no celular, porque as pessoas usam muito, é super funcional e tem salvado minha vida em alguns momentos).

Depois dê uma escapada e vá em direção ao Embarcadero (vai a pé porque o passeio é super agradável), onde fica o Ferry Building, que é o mercadão de SF colado no mar com vista para a Bay Bridge. Se for viciado em café, não deixe de pegar um na Blue Bottle Coffee. Se a fila o fizer desanimar, pegue uma cerveja e sente do lado de fora para contemplar a vista.

Para jantar no Centro, opções não faltam… mas ficam duas: o Farmebrown ou o Cafe Claude (francesinho delicioso onde comi o melhor stake tartare da minha vida).

Para um brunch no Centro, eu recomendo o Cafe de La Presse, que atende tanto aos ávidos por um café tipicamente americano quanto para quem quer fugir dele. Aí minha recomendação é o croque, que é de lamber os dedos. E claro, para acompanhar peça uma Mimosa (champagne com suco de laranja), assim já começa o dia pra lá de relaxado. O café fica bem em frente ao “portal” de Chinatown, então já vale escapar e bater perna por lá.

No Centro algo que é obrigatório, é pegar o bonde que sobe a Powell Street em direção ao outro lado da cidade. Custa 6 doletas e a fila costuma ser gigante, a dica é: não fique no ponto final, que é na Powell St. com a Market St. Suba um ponto (em frente a H&M) e pega lá. E claro, vá do lado de fora, seja pendurada ou colada na gradinha dos fundos, afinal a vista da cidade de dentro do bondinho é demais. Só esse passeio já faz qualquer um ficar de quatro por SF. Já aproveita e pega o Powell-Hyde e vá ver a Lombard Street, que tem uma das partes mais íngremes da cidade e acabou virando um marco da cidade. Caso esteja em Chinatown, rola pegar lá também.

 Passeie na Lombard Street e vá andando até o Fischerman’s Warf. Alugue uma bicicleta por lá e encare o melhor passeio de bike que a cidade oferece: do Fischerman’s Warf até Sausalito, cruzando a incrível Golden Gate (passeio obrigatório!!). Esse passeio leva meio dia ida-volta (vai de bike e volta de ferry, são cerca de 16km pedalando), por isso o ideal é ir por volta das 13h no máximo, pois o último ferry sai de Sausalito às 18h45 (e prepare-se, pois na volta vai rolar uma boa pedalada para entregar a bike, mas juro que vale a pena) e o passeio vale ser feito com calma, parando no café próximo a Golden Gate com direito a visualizar a ponte debaixo, depois subi-la e parar para uma merecida cerveja em Sausalito. O aluguel da bike + ferry sai por volta de US$ 43,00 (bike simples).

As dicas aí de cima são todas básicas e “must to see” se vier a San Francisco (ah, menos Union Square, mas todo mundo vai cruza-la de qualquer jeito). Eu recomendo o guia da cidade, que tem várias dicas bacanas e convencionais, mas também muita colaboração de usuários, vale ficar mesmo de olho nelas. Para quem ama Alfred Hitchcock, dá uma olhada no tour nas locações de Vertigo (aí pode pular Union Square e Nob Hill, que faz parte do tour).

Logo mais eu subo a parte II, aí com lugares menos convencionais (mas a maioria aí em cima vale a pena conferir, é tudo incrível, afinal San Francisco é uma cidade incrível que dá vontade de ficar aqui pra sempre).

TashakiMiyaki

Mais uma banda fofa descoberta no meio do auê do SXSW (a lista é interminável), a Tashaki Miyaki, que tocou num dos meus lugares favoritos no festival: o Latitude 30 (o lugar que você nunca erra em ir) que abriga a NME patrocinada pela Embaixada Britânica, que traz todas as incríveis bandas citadas pela revista.

Tashaki Miyaki é uma dupla californiana, formada por Lucy (vocais e bateria) e Rocky (guitarra), recém-saída do forno. A banda surgiu no ano passado após uma jam session e muito improviso e já lançou 3 ótimos EPs. Eles tem sido comparados com Jesus and Mary Chain e Best Coast.

Assista ao lindo clipe da música “Best Friends” e coloque a dupla no seu radar. E para ouvir os EPs, é só colar no site da banda. Depois confira os demais clipes da dupla, todos dirigidos pelo Juan Iglesias, que são todos com produções impecáveis.


Tashaki Miyaki – Best Friend (Official Video) from Juan Iglesias on Vimeo.

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Na minha última hora no SXSW, eu fui presenteada com algo inesperado: um livro e um CD para acompanhar a leitura. Gostei da ideia e fiquei curiosa com o conteúdo. A grande surpresa é que o CD “Dawn Remembers” tem a Maria Taylor nos vocais em músicas de cortar o coração, assim como o livro do Rich Shapero, Too Far, que acompanha o álbum (ou vice-versa). São 12 canções, cada uma escrita/composta para um capítulo do livro.

Rich Shapero é escritor e músico e tem trabalhado em projetos multimídias (essa palavra é tão velha, né?) com storytelling. O livro foi lançado em 2010 e distribuido gratuitamente em diversas cidades americanas, especialmente em escolas e universidades. A história é sobre Robbie, um garoto de 6 anos, que encontra uma garota hipnotizante da mesma idade que ele. Juntos eles exploram os mistérios da floresta que está em volta das suas casas. O mundo que descobrem é cheio de fantasias e habitado por criaturas nascidas de seus sonhos. Contada como uma parábola, é uma história de partir o coração sobre o fim da inocência, que capta as loucuras da imaginação de uma criança enquanto se esforça para permanecer numa vida livre e sem limites.

O livro está disponível de graça no iTunes para ser lido no iPad e a trilha sonora, Dawn Remembers: Too far, está disponível no site do projeto. O álbum é lindo de chorar.

A arte do livro e do cd é do Eugene Von Bruenchenhein,

Como eu sou legal, eu vou dar a versão que ganhei (álbum + livro), mas ela só vai chegar para o ganhador em abril, já que estou em SF no momento. Quem se animar em levar para casa, conta aí o que o amanhecer te traz de lembranças. A promo ficará no ar entre hoje e 26 de março, aí quem deixar a resposta mais bacana, ganha. :)

sxsw2012

Uma amiga me pergunto durante nosso último café da manhã em Austin “qual das duas edições do SXSW você mais curtiu?”. Eu fiquei em silêncio….

Em 2011 eu fiz minha primeira odisséia ao SXSW carregando muitas expectativas na mala. Voltei boquiaberta e com o cérebro prestes a explodir diante de tanta informação, insights, referências para correr atrás e uma dor na perna que durou uma semana. Tentei convencer todos ao meu redor que tinham que ir conferir de perto o festival, pois era complicado demais tentar definir em palavras o que essa experiência é de fato.

Ontem li um texto do Cris Dias, no qual ele cita o CCO da AKQA, Rei Inamoto, que definiu o festival como “a internet ao vivo”. Essa foi a mesma definição que cheguei em 2011 e é exatamente isso que mais me atrai no festival: uma infinidade de informações, bandas que você nunca ouviu falar, pessoas de todos os 4 cantos do planeta, personalidades em carne e osso, as pessoas e “gurus” que você seguem na sala mais próxima, mais coisas para fazer do que você é capaz. Você não acessa o Google, você vai no Google; você vai no Mashable, no Foursquare, no Hype Machine, etc. Enfim, tudo que a Internet nos permite fazer e boa parte das pessoas as quais seguimos e admiramos, estão ali presente para nos inspirar. É a materialização da experiência que temos em frente de um computador ou celular. É a infinidade de informações que você tem quando está conectado. É ter seu browser com 1000 tabs abertas.

Esse ano segui para Austin com mais expectativas, afinal eu me sentia um pouco mais preparada, pois o SXSW é um festival que vale um pouco de planejamento e preparação, assim as chances de perder coisas que de fato valem a pena, são menores (mas você vai perder ainda assim, mesmo sabendo sobre elas).

O SXSW cresceu muito em relação a 2011, provavelmente triplicando o público, uma vez que não existe “sold out” (o que talvez seja um problema). Existiam filas para praticamente tudo que você queria assistir, fosse palestra, filme ou show. A palavra mais citada no festival em 2012 deve ter sido “line” (fila). A frustração foi um pouco maior, pois obviamente tudo que era “maior”, todos queriam ver e consequentemente não havia lugar para todo mundo.

Não existe fórmula para acompanhar o SXSW. Cada um acha seu jeito, afinal temos cerca de 1.000 eventos por dia e humanamente é possível ir no máximo em 1% diariamente. Imagina a tensão? A impressão é a mesma que a Internet nos causa, de que estamos sempre perdendo alguma coisa.

Como bem disse o Cris Dias, o SXSW é um evento feito pelas pessoas que participam dele, afinal é um evento democrático que abre espaço para quem convencer que tem a algo a dizer, basta embalar sua ideia e inscrevê-la. Rola uma pré-seleção de tudo que foi inscrito e então o público vota nas suas favoritas, as mais votadas, ganham seu espaço. Na contrapartida, isso traz muita furada, afinal nem todo bom vendedor vende um bom produto. Isso vale para as três áreas: interativo, cinema e música.

O saldo geral vai ser sempre positivo, pois inspiração e troca de ideias não faltam, além da vivência que temos lá, alguma coisa na bagagem todo mundo vai trazer.

E tentando responder à minha amiga, definitivamente eu não sei qual edição eu prefiro. Na primeira eu caí de gaiato, não me preparei, mas vi muita coisa, aprendi um pouco, conheci muita gente, me diverti muito, tive crise de ansiedade, não dei trela para mim em nenhum momento. Nesse eu respirei, tive mais foco, talvez tenha visto menos coisas, mas entrei em menos furadas e fui mais assertiva. A anterior, como qualquer primeira experiência, foi mais intensa, mas essa foi melhor saboreada.

O SXSW é um evento em que todas as pessoas que gostam de comunicação, tecnologia, música e cinema, deveria ir pelo menos uma vez.

Agora é hora de fazer o balanço, rever um pouco as coisas que assisti e curti, digerir e tentar aproveitar o que dá no meu dia-a-dia e não é pouca coisa.

Que venha SXSW 2013.

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Criei 4 boards no meu Pinterest (SXSW, mais genérico; SXSWm, SXSWi e SXSWf) para incluir tudo que foi destaque no SXSW 2012, assim fica mais fácil para acompanhar e ter tudo num lugar só. No decorrer dessa semana eu vou postar aqui meu balanço de cada uma das áreas do festival: Interatividade, Cinema e Música.

(confira aqui as fotos que o Ola Persson fez para a Revista Noize, no SXSW Música)