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Aula teórica de geografia rápida: o globo terrestre está inclinado cerca de 23,5 graus, o que faz com que o Sol passe exatamente 90 graus da superfície (leia-se: do chão) ao meio-dia do solstício de verão (21 de dezembro) para nós que vivemos sobre o Trópico de Capricórnio. Para quem está abaixo do Trópico de Capricórnio, ou acima do de Câncer, isso nunca acontece, o Sol sempre está mais ou menos inclinado. Junto com essa inclinação, varia também a posição de nascimento e pôr do astro-rei.

Aula prática de geografia rápida: mais ou menos nos dias 29 de maio e 12 de julho de cada ano, o Sol se pôe em uma posição tal que ele se alinha completamente com plano urbanístico cartesiano da cidade de Nova Iorque, estabelecido em 1811. A esse fenômeno foi dado o divertido nome de Manhattanhenge, em referência às místicas rochas inglesas. Nesses dias, muita gente se mobiliza para conseguir um lugar cativo na ponta leste da ilha, para ver a língua de calor alaranjado varrendo as ruas de ponta a ponta. As fotos são lindíssimas, e fico imaginando que deve ter muita gente organizando eventos e festas para curtir esse espetáculo tão simples, natural e democrático.

O Manhattanhenge de 2012 foi especialmente bonito, já que o céu estava limpíssimo e o Sol deu 100% das caras entre os arranha-céus. Dá uma olhada.

Em Nova Iorque, o mesmo acontece com o Sol nascente por volta dos dias 5 de dezembro e 8 de janeiro, mas como daí é inverno, imagino que pouca gente se anime a sair da cama na madrugada para ficar a postos com a máquina fotográfica. O fenômeno acontece também em outras cidades com malha viária regular, como Chicago, Montreal, Baltimore e Toronto.

A foto de abertura veio daqui.

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