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São Paulo acabou conhecida por ser uma cidade gastronômica. É a metrópole que nunca pára, da vida noturna enlouquecida, da cultura vibrante, mas inevitavelmente encaixamos um petisco ou uma guloseima entre uma coisa e outra. Mas quem, como eu, já está habituado com as opções disponíveis, acaba sempre sofrendo um pouco na hora de escolher onde ir. E pior, acaba indo sempre nos mesmos lugares. Por isso resolvemos dar uma mãozinha e saímos a caça de lugares incríveis e menos conhecidos e montamos um mini-guia para se recorrer quando bater aquela fome. Para fugir do lugar comum, pesquisamos as mais diferentes culinárias do mundo, assim você pode ir da América até a Ásia correndo os quatro cantos da cidade. Aproveitando o dia dos namorados que está chegando, que tal experimentar sabores novos com a cara-metade?

Argentina:

Dr. Tchê de la Parilla de la Villa

Sabe aquele ojo de bife que você come nos restaurantes de Buenos Aires que você corta com uma colher, e parecem manteiga derretendo da boca? Para achar o mesmo corte e a mesma qualidade de carne, tem que ser em um lugar realmente tradicional. O dono Adelar Vieira, ou Bugre como é conhecido, na verdade é gaúcho, mas nas suas grelhas só entram carnes de primeiríssima diretamente dos pampas, sempre mal-passadas ou no máximo rosadas. Para acompanhar o famoso asado de tira, saladas, batatas assadas, tortillas, e o imperdível molho de chimichurri. O ambiente é bem simples, mas as porções são grandes e na hora de dividir a conta, acaba saindo bem em conta.

R. França Pinto, 489 – Vila Mariana
Telefone: (11) 5575-9625
Aceita cartão de crédito

terça a sexta: 12h às 15h / 18h às 23h.
sábado e feriados: 12h às 16h / 18h às 23h.
domingo: 12h às 17h

 

Itália:

Pecorino Bar e Trattoria

Restaurante italiano em uma cidade com a massiva imigração que tivemos parece piada. As opções são infinitas, das mais tradicionais às mais inovadoras, mas acho que a macarronada hoje se tornou uma forma de ‘encher o bucho’, ao invés de ser o comfort food que deveria. No Pecorino você não encontra a efusividade, as travessas cheias e carregamentos de queijo ralado de uma cantina. Encontra, sim, um restaurante pequeno mas muito charmoso, onde se pode comer e conversar ao mesmo tempo, com pratos e antepastos incríveis, e uma certificação do governo italiano da verdadeira culinária da bota no Brasil (algo que só cerca de 30 estabelecimentos têm). Tome seu tempo, peça muitas entradas, peça um bom vinho (ou o vinho da casa, que não faz feio), e uma vez pelo menos peça o risoto de ragú de ossobuco. De comer de joelhos.

Al. Joaquim Eugênio de Lima, 1706 – Jardim Paulista
Telefone: (11) 2339-2887
Aceita cartões

segunda a quinta: 12h às 15h
sexta: 12h às 15hs / 19h à 00h
sábado: 12h às 17hs / 19 à 00h
domingo: 12h às 17hs

 

Líbano:

Tenda do Nilo

Lembra do Soup Nazi, do seriado Seinfeld? À primeira olhada, Olinda, uma das donas desse pequeno oásis de comida árabe, pode parecer sua versão tupiniquim. Mas seus pitos com a clientela nada mais são do que sua forma de mostrar carinho. Não à toa ela chama todo mundo de Habib (querido/a em árabe). Com ela você aprender como comer um kibe (com a mão, mas sem limão!) de verdade. Mas graças à cozinha de sua irmã Xmune, o pequeno restaurante de esquina já ganhou inúmeros prêmios de gastronomia no país. Mesmo assim, a casa continua muito pequena, com cara de botequim mesmo, não aceita cheques ou cartões (só débito Visa), não faz reserva, e tem muita, muita fila. Não poderia ser diferente. Quem já experimentou o fatte (mistura de pão torrado, cordeiro, coalhada fresca, grão-de-bico, castanha-de-caju e alho frito), nunca vai esquecer, e não vai deixar de voltar. A sobremesa mais conhecida (e premiadíssima), o mil e uma noites, também é imperdível. É um gigante bolo de semolina bem molhado com água de flor de flor de laranjeira, uma grossa camada de creme de nata e pistache moído cobrindo. Esqueça esfihas e pastas, que esses tem lugar melhor que logo digo. Vá direto ao ponto.

R. Cel. Oscar Porto, 638 – Paraíso
Telefone: (11) 3885-0460
Aceita dinheiro e Visa débito

segunda a sexta: 12h às 15h
sábado: 12h às 15h30

 

Japão:

Izakaya Issa

Se estamos falando de culinária tradicional, vamos fugir do clichê do rodízio de sushi, ok? Aqui você vai experimentar comidas que vão muito além do peixe cru, afinal izakaya nada mais é do que o nosso boteco em japonês. O ambiente segue todos os requintes dos muitos restaurantes nipônicos da Liberdade, com decoração kitsch oriental, paredes de papel que mudam de posição ao longo da noite, mesas baixas reservadas com tatame, e por aí vai. Para beber, eles oferecem uma boa seleção de saquês, mas cuidado, pois é aqui que o preço pesa. Já na comida, pode se esbaldar. O ideal é pedir de tudo um pouco para que todos na mesa experimentem. As entradas, especialmente saborosas, tem um carpaccio (?) de peixe cru divino, nabos picantes, o takoyaki, um bolinho de polvo empanado em cará, e muitas outras. Como prato principal, você pode escolher entre uma grande variedade de grelhados e fritos, ou de macarrões (??) japoneses como lamen, udon ou yakissoba, tudo excelente. Mas o mais conhecido é o Okonomiyaki, ou o que eles chama de ‘tipo pizza’ (???), que mais parece uma panqueca de legumes, carne de porco, camarão, maionese e molho tonkatsu. Vem ainda coberto por finíssimos flocos de atum seco que dançam com o calor do próprio prato. Parece que veio da Itália, mas é tudo japonês de raiz. E bom demais.

R. Barão de Iguape, 89 – Liberdade
Telefone: (11) 3208-8819
Aceita cartão

segunda a sábado: 18h30 às 23h30
domingo e feriados: 18h00 às 23h00

 

Peru:

Rinconcito Peruano

Se a idéia é comer muito bem uma comida realmente andina, ótimo. Se você quer levar o/a esposo/a para um jantar romântico, melhor pensar de novo. Sem meias palavras, o lugar é feio, barulhento, a vigilância sanitária não deve passar lá há alguns anos, e você sai de lá defumado. Por que ir então? O tal ‘cantinho’ é um verdadeiro ponto de encontro de peruanos que vivem em São Paulo e vão até lá para matar saudade de casa. Entre programas de TV locais (assistimos a uma versão local da Escolinha do Professor Raimundo), litros e litros de Inca Kola (refrigerante sabor tutti-frutti com cor de Césio 137) e uma boa dose  de bom humor, pode-se experimentar o melhor e mais tradicional ceviche da cidade. Fora isso, o cardápio traz várias opções de pratos de carne e peixe deliciosas. Recomendo o lomo saltado e o arroz chaufa, que pode ser de frango, carne, camarão ou misto. Os pratos são muito bem servidos, a cerveja acabou no meio da refeição, e a conta quase faz graça: entre 5 pessoas, gastamos 22 reais cada. É um programa sui generis, mas os corajosos vão se deliciar.

Rua Aurora, 451 – Centro (não tem site)
Telefone : (11) 3361-2400
Aceita cheque

segunda a sábado, 10h às 23h;
domingo 12h às 22h

 

Portugal:

Taberna 474

Quem já foi ao Adega Santiago sabe que o dono, Ipe Morais, entende bem do que faz quando o assunto é bacalhau. Com o intuito de criar um ambiente com mais cara de tasca (que seria o boteco português), e menos de restaurante chique, ele pegou uma casa na esquina de cima do primeiro e montou o Taberna. A decoração é simples, com muita madeira e ferro, mas o ambiente é mais casual e iluminado, diferente do Adega. Acho que a idéia era que esse funcionasse mais como um bar, vista a quantidade de entradas do cardápio. Mas se você der uma olhada em todo ele, duvido que vai ficar só no belisquete e na cerveja (que também tem uma ótima seleção). Peixes, frutos do mar, carnes, tudo à moda ibérica executado à perfeição. Para começar, eu recomendo os croquetes de chouriço e as tostadas de sabores variados. Nos pratos, tudo estava delicioso, mas devo ressaltar o polvo à moda, que vem mergulhado no azeite, com batatas, pimentões e cebola. Se você acha que já comeu um bom polvo, está enganado. As sobremesas portuguesas também valem cada caloria. O programa, no final, não sai barato, mas é um daqueles pequenos prazeres que todos nós merecemos.

Rua Maria Carolina, 474 – Jardim Paulistano
Telefone: (11) 3062-7098
Aceita cartão

terça à quinta: 17h30 às 0h
sexta e sábado: 12h às 0h
domingo: 12h às 22h30

 

Armênia:

Casa Garabed

Sabe quando você pensa que queria muito muito pegar o carro e ir até o Mocotó, mas desiste não pela distância, mas pela fila? Então prometa para mim que nesse dia você vai até a Casa Garabed. É fora da região central, o que pode ser uma boa volta para muitos, mas não conheço uma pessoa que se arrependeu. A casa nem tem muita cara de restaurante, não tem placa, fica numa ruinha de um bairro residencial, e mais parece que improvisaram umas mesas num cantinho da cozinha. Em tempo, Garabed Deyrmendjian montou a casa nos anos 40, e desde então suas maravilhosas esfihas são assadas em um forno a lenha de 25m2! E não pense que você vai ficar no trio carne-queijo-verdura por lá. Não deixe de pedir as esfihas de zahtar, bastrmá (lagarto seco ao azeite), cordeiro com snobar (pinholes) e queijo com cebola refogada na manteiga. Além de deliciosas, as esfihas são grandes! Se sobrar espaço na barriga, peça o madzunôv kiofté, kibes recheados com carne e snobar cozidos na coalhada fresca com especiarias. Acompanha pão sírio para lamber até a última gota do prato. Para a sobremesa, toda sorte de doces árabes, que eu pelo menos não resisto. A dica secreta é na bebida. Peça uma jarra de suco de coalhada. Parece bizarro, e todo mundo torce o nariz no começo. Mas é leve e refrescante, e combina perfeitamente com a comida.

Rua José Margarido, 216 – Santana
Telefone: (11) 2976-2750
Aceita cartão

terça a domingo e feriados: 12h às 21h

 

Estados Unidos:

Alê Tedesco Bakery Shop

Depois de toda essa comilança, que tal um lugar para sentar e só tomar um café e comer um doce? Alexandra Tedesco se inspirou nas bakery shops americanas e recuperou a tradição dos american style cakes para abrir seu pequeno espaço. Pela tradição, os noivos recebiam bolos dos convidados no dia do casamento, e quanto mais camadas esses tivessem, mais os noivos eram bem vistos pela comunidade. Por isso os bolos aqui chegam a ter absurdos 17cm de altura! O carro chefe é o Divino Malt Cake, que junta massa de cacau com creme de malte e chocolate meio amargo. Fora isso, eles têm bolos de brigadeiro, frutas vermelhas, pistache, maracujá, baba de moça e outros, que são feitos todos no balcão às vistas dos clientes. Mas nem só nos Estados Unidos se inspira a cozinha. Para acompanhar o café da marca Pessegueiro, você também pode pedir brownie, cheesecake, cookies, tortas diversas, docinhos brasileiros e os sweet home cakes, mais baixinhos e com cara de bolo da vovó. Lá você também encontra pães, geléias e molhos artesanais para levar para casa, e ainda pode almoçar. Todos os dias eles montam um cardápio na lousa, que pode ter sanduíches variados, sopas francesas e árabes, quiches, tortas salgadas e saladas. Ufa! Fora que a casinha é inteira uma graça, dos móveis aos rótulos, tudo é muito bem cuidado. O lugar é pequeno, mas o programa é completo.

Rua Américo Brasiliense, 1538 – Chácara Santo Antônio
Telefone: (11) 5184-0844
Aceita cartão

segunda a sexta: 8h às 18h
sábado: 10h às 14h

 

Na foto: se for para comer pão-com-ovo, coma o melhor. E o melhor quem faz é o nosso querido Ola.

5 Responses to “Volta ao mundo na culinária de São Paulo”

  1. Amaral

    Adorei as dicas, sugiro incluir um restaurante Koreano chamado Hogane e um austriaco muito legal de um casal de imigrantes chamado Wolf’s Garten

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