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Para acabar com aqueles silêncios incômodos com estranhos, a saída certeira sempre foi falar do tempo. ‘Que chuva, não?’ Mas ultimamente tem outro tema que anda mais popular como conversation starter: o mercado imobiliário brasileiro. É fácil interagir, porque existe consenso geral. Os preços estão uma loucura! Não conheço uma única pessoa que não tenha reclamado ainda. Agora, se estamos sofrendo aqui, em São Paulo e no Rio de Janeiro, imagina como estão os habitantes de Tóquio. É simplesmente a maior cidade, a mais cara e a maior concentração populacional do mundo. Não está fácil para ninguém, mas está um pouco mais difícil para alguns.

Eu sempre acreditei que nos cenários mais inóspitos e caóticos nascem as ideias mais revolucionárias. O escritório ReBITA luta a 7 anos para mudar a cultura do demolir-e-construir japonesa, e busca formas de se adequar o que já está construído para as necessidades atuais. Desse mote saiu o recentemente inaugurado The Share. Esse prédio de 7 andares, construído há 50 anos, foi reconvertido em um jeito absolutamente novo de se morar, totalmente conectado com o modo de vida dos jovens.

Cada morador paga um aluguel mensal mais uma taxa de serviços, e tem direito a um quarto privativo com banheiro, vestiários, lavanderia coletiva, uma grande cozinha integrada a uma enorme e linda área de convivência (abertos 24/7) e um terraço gigante com uma vista inacreditável de Harajuku, o bairro moderninho onde fica. No prédio, além dos 64 quartos, ainda tem lojas, um café e um restaurante, pequenos escritórios privados e um grande comunitário, uma rádio com transmissão para os bairros em volta, área para fumantes e um auditório que pode ser usado até para ensaios de bandas. Um sonho de condomínio.

Para fazer a convivência funcionar, o design é todo pensado na interação. Na sala principal, uma planta do prédio tem espaço para que cada um ponha sua foto no seu quarto. Um painel com um grande mapa da cidade serve para que deixem dicas do que fazer e onde ir.  As portas todas tem pintura de lousa, para que cada um se apresente e escreva o que quiser. O mesmo acontece na cozinha, com caixinhas de giz em formato de balões de fala. Paredes brancas estão disponíveis para que artistas deixem sua arte. E uma grande estante circunda a sala, onde os moradores podem pegar livros emprestados, e deixar para os outros os seus. Quase como um Facebook da vida real.

Confesso que sou apegado à minha casa toda para mim, mas fiquei com muita vontade de experimentar uma temporada em um lugar desses. As ideias são muito simples, mas muito interessantes, e com certeza uma ótima forma de conhecer gente. Bem que podia começar um movimento desses por aqui. Aluguéis baratos, prédios restaurados em áreas centrais, morar e trabalhar no mesmo lugar, e um monte de amigos em volta. Em uma palavra: genial!

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