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Na primeira viagem que eu fiz para a Europa, nos meus tenros 15 anos, eu voltei para casa com um lote de 19 filmes de 36 poses para revelar. Outros tempos aqueles. Não se sabia o que se estava efetivamente fotografando, e com sorte, alguém leigo como eu (na época) conseguia aproveitar uns 70% das fotos. Isso quer dizer que das 684 fotos que tirei, mais ou menos 200 são de alguém piscando um único olho e parecendo que teve um AVC, de pessoas posando em frente a um belo fundo negro onde deveria estar o esplendor iluminado da Torre Eiffel à noite, ou mesmo gente dormindo com a boca aberta no ônibus da excursão, porque era engraçado. São quase 6 filmes inteiros jogados no lixo. Ah, adolescentes!

Já na faculdade, munido da minha primeira câmera reflex, e dos poucos conhecimentos do semestre de Fotografia 1, posso dizer que me saí melhor. Foram 14 filmes (em um mochilão por 8 países!), e a média de aproveitamento subiu para honrosos 90%. Não fotografei cada prédio bonitinho que vi, a Torre Eiffel aparece em todas as tentativas, mesmo à noite, e as pessoas com AVC… bom, essas sempre acontecem. Como já estávamos em uma era pré-’digital’, as fotos foram cuidadosamente selecionadas no laboratório antes de serem ampliadas, e hoje elas estão cuidadosamente organizadas e guardadas em 3 belos álbuns de capa de couro azul. Na estante. Pegando pó.

Chegando finalmente a uma era realmente ‘digital’, aí sim me esbaldei. Como ficou fácil! Fotografou, não gostou, de-le-te. Agora nem as fotos dos amigos piscantes incomodam mais. Toda as que ficam têm bom enquadramento, luz, contraste, e o que não estiver sempre se pode arrumar no Photoshop. O problema é a falta de critério. As viagens agora são mais curtas, para menos lugares, e na bagagem sempre vem um rol de mais de mil fotos. Mil! Todas boas! Agora não tem mais revelação, ampliação, álbum. As fotos não ficam pegando pó, mas ficam enchendo gigas e mais gigabytes dos nossos computadores, sem que ninguém as olhe. Afinal, você que as tirou, já as conhece de cor. E tem coisa mais chata do que ver mil fotos da viagem do amigo, durante o jantar? Tortura chinesa.

Na minha última viagem fui radical. Embarquei sem câmera, sem filme, sem peso na conciência. No bolso só meu pequeno telefone. Dessa vez achei uma fórmula que funciona. Foto, apenas uma ou outra, de um momento importante ou de um lugar realmente deslumbrante. No resto do tempo, eu saquei meu telefone e fiz pequenos vídeos. Uns de alguns minutos, outros com menos de 10 segundos. Daí, com um pouco de paciência e uma bela trilha sonora, agora eu condenso minhas viagens em pouco mais de 4 minutos e jogo na internet. E meus amigos até toleram assistir, pois é rápido e a música ajuda. Nunca mais vou deixar minhas lembranças pegarem pó.

Esse é o vídeo que acabei de fazer da minha última viagem. Passamos o Natal com a querida família do Ola, e fomos esquiar na Noruega no Réveillon. A trilha, que eu já postei sobre, é ‘Myth’ do Beach House.

2 Responses to “Souvenir de viagem”

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