portland

Quando agendei minha longa viagem a San Francisco, resolvi que escaparia num final de semana para outra cidade. Inicialmente pensei em Los Angeles, mas confesso que ainda não fui picada pelo charme de LA, por isso convenci o casal de amigos, que viajaria comigo, em irmos pra Portland. A cidade fica a 2h de vôo e o fuso horário é o mesmo.

Afinal, por que Portland? Até cogitei em ir para Seattle, afinal eu fui fã confessa do grunge e a cidade teria muita história boa para contar pra mim. O problema é que eu teria apenas 3 dias e preferi mesmo ir para um lugar pequeno e só tinha ouvido coisas boas de Portland, que é hoje uma das cidades mais rock’n roll dos Estados Unidos. Uma cidade que tem o slogan “keep Portland weird” e o prefeito faz uma ponta na série mais divertida da TV, já é pra considerar. Portland é onde as pessoas já nascem hipsters, mas são bem simpáticas. Não me decepcionei. Portland está na lista das 5 melhores cidades para se viver no mundo, de acordo com o The Guardian. Foi lá que várias bandas que você ama se formaram, incluindo The Dandy Warhols. A música Bohemian Like You é nada mais do que a vida deles em Portland.

Portland abriga o novo e o velho, o pequeno e o grande, o moderno e o vintage. Tudo ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Não há como não se derreter pela cidade. E ainda tem a vantagem de ser uma cidade barata com muita gente bonita.

Como warm-up eu mergulhei em Portlandia e a série de fato mostra bastante da cidade (e o lado legal). Chegamos lá numa sexta-feira à noite, depois de um vôo assustador da Alaska Airlines num turboélice, que nos entregou inteiros no que chamamos de “puxadinho” do aeroporto da cidade. Foi um espanto, pois descemos caminhando pela pista até a sala de desembarque, que tinha uma lanchonete e parecia uma rodoviária. O espanto porém foi ao sair dali e se deparar com um aeroporto super moderno, mas com um puxadinho exclusivo da Alaska Airlines.

Acabamos optando em ficar pelo Centro e escolhemos o Hilton, na 6th Avenue. É um Hilton mais modesto sem café da manhã ecom uma boa tarifa. Caso queira ficar no centro, super recomendo o Ace Hotel (tarifas a partir de US$ 140), que tem um café anexo fantástico, um ótimo cinema em frente, a Powell’s e  uma deli de lamber os beiços especializada em pratos com pastrami e um atendimento impecável, a Kenny & Zuke’s. Para os mais rock’n roll, o Jupiter Hotel é mais do que recomendado, que tem shows todos os dias e fica colado no Doug Fir, que tem uma das melhores agendas de shows da cidade e fica num canto bacana de Portland. Se eu voltar pra lá, é desse lado que fico. Ah, e não dá para esquecer das opções do airbnb, que tinha sido minha primeira opção.

A chegada já foi num rasante para um show da Sharon Van Etten, no Aladdin Theater. Na ida pra lá deu pra sacar que a cidade acontece do outro lado do rio que corta Portland. Foi um ótimo começo e a Sharon, diferente de outras duas vezes que eu a vi ao vivo, estava super desenvolta, falante e engraçada. O público era um dos mais atenciosos e ecléticos que já vi. Eram pelo menos 3 gerações diferentes e chegava a ser constrangedor conversar durante o show. Todos a olhavam completamente hipnotizados.

Alguns fatos sobre Portland:

Muita gente considera que é a melhor cidade para viver, mas ninguém consegue explicar o porquê. Eu fiquei muito pouco tempo lá para sentir qualquer coisa, mas a cidade é super agradável, charmosa, tem um dos centros mais bonitos que já conheci e as pessoas são educadas e atenciosas de um modo raramente visto. Dizem que o grande problema de Portland é que chove o tempo todo. Eu comprei um livro “This is Portland“, do Alexander Barrett, que morou na cidade por 8 meses. Ele afirma que é uma conspiração para que as pessoas não se mudem para lá. E avisa: Portland é uma cidade cheia de gente cool e gente cool não usa capa de chuva. Eles simplesmente tomam chuva. Ficamos 4 dias por lá e choveu apenas uma noite. Não deu tempo de saber se é uma conspiração ou se chove o tempo todo como Seattle.

Portland é a cidade que mais deve ter apelido no mundo. De acordo com a Wikipedia são 9 oficiais (?): City of Roses, Bridgetown (é incrível como tem ponte nessa cidade), Rip City, P-Town, Stumptown, Razorblade City, PDX, Little Beirut e Beervana, devido a quantidade de brewpubs (bares que produzem sua própria cerveja). Conversei com algumas pessoas que estavam visitando a cidade somente por conta da variedade de cervejas que possuem. Ou seja, se você ama cerveja, não tenha dúvidas, Portland é seu lugar.

Chuck Palahniuk é de lá e até publicou um livro sobre a cidade, com seus refúgios sobre a cidade, contados de um jeito que só ele poderia fazer (cartões postais e suas histórias). Se você decidir ir a Portland corra atrás do Fugitives and Refuges. Ele já abre o primeiro capítulo com uma frase da Katherine Dunn (autora do Geek Love): Everyone in Portland is living a minimun of three lives. Everyone has at least three identities. Para quem, como eu, tem no perfil do Twitter a frase “sou várias e às vezes todas estão no mesmo lugar”, imagina o quanto essa frase dela não me faz tremer?

Portland é a cidade das bikes e tem lojas incríveis. O melhor que se tem a fazer é alugar uma bike e sair pedalando. Provavelmente a cidade tem pelo menos 1 bike por habitante. Portland também é a cidade da barba. Todo mundo tem uma… pelo menos os homens. Em Portland é possível ir ao cinema pagando 3 doletas por um filme. E a cidade comporta mais strip clubs do que qualquer outra nos EUA (ganha de Las Vegas, já que Portland é a cidade americana que tem mais strip clubs per capita).

Onde ir:

O Centro abriga grandes marcas como Apple, Kate Spade, H&M, Coach, Macy’s, Nordtstrom, etc., mas não é lá que a parte mais interessante de Portland acontece, apesar de abrigar alguns lugares incríveis como a Powell’s Book, a maior livraria independente dos Estados Unidos. A loja tem nada mais do que 5 andares só de livros com uma recomendação na entrada para baixar o app com o mapa do local para não se perder. Não é uma big loja com uma boa parte dedicada aos livros, é uma grande loja de livros com tudo que você possa imaginar. Eu fui e voltei lá umas 3 vezes em 4 dias. Há uma área com destaques para novos escritores e é incrível perceber que a maior parte deles são de Portland. São 6 lojas espalhadas na cidade (uma no aeroporto), mas a central é de tirar o fôlego para apaixonados por livros com mais 1 milhão de livros. É parada obrigatório mesmo aos mais desligados.

É no Centro também (perto da Powell’s) que fica a W+K, uma das agências de publicidade mais legal do mundo. Vale a visita, pois a agência abriga uma galeria e é aberta para visitação do público. Depois de lá, dê uma passada no Whole Foods, ao lado, para um café.

Em Portland também há muito food trucks espalhados. Caso curta comer na rua (e é sempre uma boa pedida nos Estados Unidos), confira sempre o site oficial que mostra onde tem caminhões funcionando. O casal de amigos que viajou comigo ama Anthony Bourdain e chegaram a ir atrás do caminhão de sopa que ele indicou no programa (e conseguiram no segundo dia de busca). Aproveitem e confiram o vídeo do Bourdain com o Chuck Palahniuk:

Já na parte antiga da cidade tem alguns ícones de Portland como o Voodoo Doughnut, com donuts por 1 doleta e uma fila de 1 hora, mas desencane porque a experiência é ótima e é possível conhecer um pouco da cidade só de ficar na fila. É ao lado que fica o famoso muro com a frase “keep portland weird” e Portland é de fato “weird”. É por ali também que rola a feirinha de rua  ”Saturday Market“, além de ter o outro símbolo da cidade (que abre esse post) a uma quadra. Apesar do nome, a feira rola aos sábados e domingos.

Caminhando do centro pra essa área, há várias lojas escondidas que mesmo que você não saiba do que se trata, eu recomendo: ENTRE! Sempre haverá uma boa surpresa como a Floating World Comics, que mesmo sendo pequena, dá para ficar horas lá dentro. E, se der tempo, dê um pulo no Chinese Garden e não saia sem tomar um chá que vem acompanhado de uma cerimônia bem bonita. MAS só vá mesmo se tiver tempo….

Também caminhe a partir dali pelo Waterfront Park, se possível de bike. Percorra até alcançar a Hawthorne Bridge e atravesse a ponte a pé. É uma boa caminhada até alcançar a parte agitada da Hawthorne Boulevard, mas vale a pena, pois há várias lojinhas ótimas de bicicletas, brechós, design, cafés até chegar lá. Nem todos curtem muito essa parte da cidade, achando que ela é overrated. Pra mim que tudo era novidade, eu curti…. aliás, tem uma Powell’s lá também, além de bons restaurantes e uma loja incrível de discos, a Jackpot Records, onde achei uma caixa, aparentemente rara, do Big Star.  Aproveitando que está por ali, já procure pela Belmont Street, que alguns dizem ser mais bacana (não deu tempo de ir, mas vá e me conte).

A rua que me pegou de jeitinho foi a Alberta Street, que é só tem lojas que esbanjam charmes e tem  um foco grande em artes, com pequenas galerias e lojas com uma curadoria rara de se ver. Parada obrigatória: Ampersand Vintage, uma loja-galeria pra lá de minimalista com uma seleção de livros, fotografias e objetos de morrer.

Caso dê tempo, vá dar um passeio no aerial tram (já do lado do centro), que oferece uma vista espetacular da cidade e ainda te deixa dentro de um hospital com cara de série americana. O aerial tram foi construído como transporte público para ir ao hospital, que fica no alto do morro, mas acabou virando atração turística pela vista que proporciona. O bairro residencial que se esconde atrás da estação até causa uma pequena vontade de escapar para Portland para morar uma temporada por lá.

Há muito pra se ver em Portland, para se comer, para se beber, para curtir, para ouvir, para assistir, para contemplar… mas vá com tempo, a cidade merece! Eu tive apenas um sample do que Portland pode me oferecer e o que eu trouxe na mala foi, Portland é a cidade onde os jovens americanos querem se aposentar, mas a cidade é bem jovem.

Keep Portland weird não poderia definir melhor um lugar.

*agradecimentos especiais a Dani Valentin, Gus & Déia. Comecei também uma lista no foursquare de lugares para ir, incluindo bons brewpubs.

6 Responses to “Dicas para quem quer curtir Portland”

  1. Ainda bem que você escolheu Portland a Seattle. Seattle só chove e não tem nada além do Space Needle e o Experience Music Project. (Sim, eu tentei ir até a casa onde Kurt e Courtney moraram, mas eu me perdi e voltei frustrado e encharcado)

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  2. Dani Valentin

    Onnnnnnn, eu fiquei triste que não vou para Portland dessa vez depois de ler esse post. Bom, eu tenho mais algumas diquinhas: a primeira é o Festival de Cerveja, sempre da ultima quinta-feira a domingo do mês de julho. É do lado do rio e é uma delicinha, mas se prepare para pegar uma filinha para as melhores cervejas. O legal é que vc pode só experimentar a cerveja com uma fichinha, ou pegar uma caneca completa com 4. Eu tomei umas cervejas maravilhosas lá. Outra é a rua onde tem a Urban Outfitters – Northwest Westover Road. É um pouco afastado de tudo, mas é uma gracinha, vários restaurantes gostosinhos e tem um grafite do Banksy por lá. Ah, e super recomendo o Jupiter Hotel. O Doug Fir é sensacional e rola todo domingo a tarde um show acustico no estacionamento de graça. Ali perto tem também um barzinho bem punk, com uma lojnha no porão e uma photobooth, bem legal, mas eu não lembro o nome desse.

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    • Lalai

      ah, preciso voltar pra Portland, é isso que eu tenho a falar! hahahaha

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  3. Juliana

    Nossa, já amei San Francisco, acho que ia pirar em Portland! Esse post me deu muita vontade de ir lá!

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  4. ROBERTO

    Eu comprei passagem para seattle pois ja fui a florida algumas vezes aproveitei o preço pois estava excelente , será que vale apena percorrer a distancia de seattle té portalnd ? será que trajeto de carro é facil? meu inglês não é fraco consigo me virá só ,dizem que para comprar é bom devido imposto zero é isso mesmo?

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    • Lalai

      Roberto, eu sou suspeita, pois me apaixonei por Portland. Dá mais ou menos uns 300km de uma cidade a outra. Vantagens: em Portland é tax free, o que vale bastante para fazer compras, mas além disso, a cidade é linda, tem serviço excelente, é barata, tem bons shows, só recomendo a compra de um bom guia :)

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