
Falei que seria difícil resumir San Francisco com tão poucas palavras. Algo que eu não comentei, mas vale a pena, é a questão do vôo de São Paulo (de onde saí) para SF. Como a maioria sabe, não existe vôo direto e todo cuidado é pouco na hora de escolher vôos para não acabar gastando mais de 1 dia viajando. Às vezes é melhor pagar um pouco mais, mas ter um total de 18/19h incluindo o tempo de escala. Nessa minha última ida, a Ci me apresentou várias opções, mas a melhor de todas foi a Lan, que ofereceu um bom custo x benefício. O vôo fez uma escala em Lima de aproximadamente 1h30 tanto na ida quanto na volta. A Lan oferece um bom serviço de bordo e um ótimo cardápio de entretenimento, que faz uma boa diferença em viagens mais longas. Também achei o vôo confortável, especialmente se comparar com a maioria das cias. aéreas americanas, que sempre deixam a desejar. Fica aí minha dica quanto a parte aérea.
San Francisco tem um pouco de São Paulo em relação ao tempo, que é sempre uma surpresa. Então, mesmo que saia de casa com um baita calor, não deixe de levar uma malha para não ser pego de surpresa. É uma cidade que costuma ventar muito e tem períodos longos de chuva, não custa nada ter um mini guarda-chuva a tiracolo, que pode salvar nossas vidas algumas vezes.
Nessa última parte eu vou compartilhar os lugares que fui e adorei na cidade, independente do bairro. Só fiz mesmo um especial Mission, porque foi o lugar onde passei mais tempo (e onde eu moraria). Não vou dividir por região, mas logo mais eu vou publicar o guia que estou montando no Google Maps para facilitar a vida. :)
As principais atrações do centro da cidade, eu já publiquei aqui, mas terão outras menos turísticas que seguem abaixo.
Para ir, comer e se deliciar:
Para quem curte os beatniks, não pode deixar de bater perna em North Beach, também conhecida como Little Italy (aproveita no dia que for andar por Chinatown e estica até lá), onde fica a livraria City Lights Books, que é o coração beatnik em SF. Foi fundada em 1953 pelo poeta Lawrence Ferlinghetti e Peter D. Martin, e responsável por várias publicações de literatura e poesia beat. É uma livraria independente e ponto de encontro de amantes da literatura e poesia. Ela é super intimista com espaços pra leitura e também há áreas em que é proibido conversar. Há um andar dedicado somente à poesia e à literatura beat. Parada obrigatória para quem curte leitura e vale conferir os livros sugeridos pelo staff da livraria. Eu cheguei a ficar lá horas a fio sem me dar conta do tempo e a frequencia é tão interessante quanto o conteúdo que ela oferece. Só faltou um café.
Do outro lado da rua tem o Vesuvio, um bar fundado em 1948 por Henri Lenoir, que teve frequentadores ilustres como Jack Kerouac, Allen Ginsburg e Neal Cassady. Eu fui lá tardão para uma cerveja em jarra ou um drink, para quem é dos coquetéis (e vale lembrar que Sanfran é a cidade dos drinks, que já começa no café da manhã com a mimosa). Ali pertinho tem o incrível e lindo Jazz Mural, do muralista Bill Weber, feito em 1987 com algumas restaurações feitas pelo artistas nos últimos anos. Também vale a visita no Beat Museum, onde é possível encontrar uma coleção gigante da literatura beatnik. Para quem se interessar em explorar mais o assunto, eu recomendo espiar esse guia e esse outro, ambos bem detalhados.
Já para quem curte cinema, fica a dica do Cafe Zoetrope, no Sentinel Building, que foi inaugurado 1907 onde falam que a salada Caesar foi criada, pelo Caesar Cardini, em 4 de julho de 1924. O prédio, para mim um dos mais bonitos de San Francisco, se destaca bastante pela sua arquitetura, assinada pelos arquitetos Salfield and Kohlberg. Hoje o prédio pertence ao Francis Ford Coppola e é onde funciona seu restaurante. A cozinha é italiana e tem uma ótima carta de vinhos, todos das viniculturas do Coppola (sempre prefira os vinhos de Napa, que para mim são os melhores da Califórnia). O restaurante é cheio de menções ao cinema, não podendo ser de outra forma.
E os melhores ovos benedicts que eu comi na minha vida (!!!) foi no Mama’s, ali nas proximidades, mas prepare-se, porque foi também a maior fila que já peguei pra comer. Ainda assim os pratos são divinos, bem servidos e o serviço é ótimo, mesmo com tamanho movimento. Para quem adora um ovo benedict, a passada por lá é obrigatória. Peça pão extra da casa para acompanhar, vou falar que lambi os beiços.
Outra rua que eu amo bater perna é a Fillmore Street. É por lá que estão as lojas mais bacanudas (e caras), a Marc by Marc Jacobs, além de várias lojas incríveis de design. A minha sugestão é ir pela manhã para Japantown, que tem um shopping com tudo que você possa imaginar do Japão, mas para mim o mais incrível é livraria Kinokuniya, que tem um andar dedicado a mangá, já no segundo andar há uma coleção incrível de revistas de moda, livros de todos os tipos em japonês. Claro que há alguns bons achados em inglês. Dá para perder horas por lá (eu mesma perdi). Na mesma rua tem a loja conceitual New People, que abriga um café, exposições, um cinema, uma loja cheia de coisinhas lindas de morrer e no último andar algumas marcas japonesas de roupas. Vale ficar de olho na programação e obrigatória a parada na Sou Sou, especialmente para quem curte peças exclusivas e diferentonas.
Aí vá bater perna na Fillmore, que é o lado. Para um café, a minha sugestão é o Peet’s Coffee, que fica no número 2197 (em frente a loja Marc by Marc Jacobs). Já quem adora um docinho, eu recomendo a Patisserie Delanghe.
Outra coisa bacana em San Francisco são os food trucks espalhados por alguns cantos da cidade. Vale dar um pulo no Civic Center que costuma ter vários na hora do almoço (se o dia estiver ensolarado, melhor ainda, porque é pegar a comida e se jogar na grama). Confira o Off the Grid que tem a agenda dos caminhões com horários e locais onde encontra-los.
Muito difícil fazer um guia de San Francisco, porque não faltam lugares para visitar. Recomendo dedicar um dia para andar a esmo, pois sempre vai encontrar uma novidade escondida. E acho que San Francisco vale pelo menos uma semana por lá e não tenha preconceito em ir aos lugares turísticos, porque a maioria deles vale a pena.
Fechando o post, deixo também os links dos que já rolaram sobre a cidade:
Cafés para ir em San Francisco
O melhor de San Francisco – parte I
O melhor de San Francisco – parte II
E sintam-se à vontade em entrar em contato comigo para saber qualquer informação adicional sobre a cidade, que me fisgou de jeito.

Lalai,
Sou mais um paulistano que foi tirar sua tao esperada ferias em San Fran, compilei inumeros sites, guias e sem querer cai no seu blog. Mesmo conhecendo o seu trabalho, eu não me dei conta de quem estava escrevendo era vc. Realmente fiquei impressionado com suas dicas e pensei – Quem neste mundo pararia por algumas horas dedicando-se a escrever sobre uma cidade para os outros? Devem ser poucas.
Gostaria de parabenizar por este conteudo e te incentivar cada vez mais a fazer esse tipo de trabalho, pois ajuda, e muito, turistas perdidos como eu a fazer um programa de otimo gosto e que fuja do comum.
Beijo.
Ale Kiss
Opa, fico feliz que tenha curtido. Depois leia a road trip e o de Estocolmo, que são legais também :)
Devo dizer que a “sua São Francisco” é a melhor que pude constatar em todos os blogs, sites e guias consultados. Muito embora em alguns poucos pontos tenha coincidido com outros “guias”, o seu relato expõe as autencidades de SF (e, naturalmente, exclui as obvieidades), revelando o que há de verdadeiramente mágico nessa cidade. Obrigado pelas dicas e continue escrevendo sobre as cidades, nessa mesma perspectiva.
Opa, que ótimo que curtiu!! Fiquei feliz com o feedback…. :)